"Chegamos daqui a 15 minutos. Encostei-me a ela e fiquei calado a admirar o movimento natural das pessoas que se apressavam a desfazer os fortes e a arrumar as malas. Havia pessoas que esvaziavam colchões de ar, miúdos sonolentos a serem agasalhados pelos pais e havia ainda aquele casal de velhotes que, na mesma mesa e cadeiras do dia anterior, com a maior calma do mundo, tomava o seu café da manhã. (...) Aproximava-me calmamente da porta do barco, sabia que uma vez que dali saisse não a iria ver durante uma semana (...) . Mas naquele momento não se senti triste, nem angustiado, nem nenhuma das sensações que era habitual sentir-se quando se separa de alguém com quem se gosta de estar. Sentia-se com a naturalidade de quem sabe que aquele é o caminho que é suposto seguir, com a alegria de quem recuperou a confiança na vida em si, de quem tem a certeza de que o Destino existe para garantir que as coisas correm bem (...) . Olhou-a nos olhos e sorriu, ela passou-lhe o braço em volta do pescoço e beijou-o na face, toda a gente estava a ver mas ninguém realmente viu..."

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